Um dia inteiro de luta contra a Reforma da Previdência

Em São Paulo, segundo a organização do ato, a avenida Paulista reuniu 70 mil pessoas

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Avenida Paulista foi palco do primeiro ato de rua contra reforma de Bolsonaro, em São Paulo. Foto: Agência PT.

A resistência contra a Reforma da Previdência, do governo Bolsonaro, começou a encorpar desde a última sexta-feira (22), com as mobilizações nacionais por todo o país. Foi um dia inteiro de atividades, com paralisações, panfletagens e atos de rua, marcando o primeiro protesto nacional contra a Proposta de Emenda Constituição (PEC) 06/2019, que foi apresentada em 20 de fevereiro. Em São Paulo, segundo a organização do ato, a avenida Paulista reuniu 70 mil pessoas; no Rio de Janeiro e em Fortaleza, outras 30 mil em cada.

Em São Paulo e região metropolitana, a mobilização começou ainda na madrugada. Motoristas e cobradores de ônibus cruzaram os braços por duas horas, entre 3h30 e 5h30 da manhã. Cerca de 5 mil trabalhadores se reuniram em assembleia para rechaçar a reforma da Previdência. Pouco depois, às 7h, em São Bernardo do Campo, metalúrgicos se concentraram em frente à fábrica da Ford, que teve seu fechamento anunciado, e caminharam até o centro da cidade. Além dos operários do setor, participaram outras categorias e movimentos.

À tarde, professoras e professoras da rede estadual se organizaram em assembleia no centro de São Paulo, com forte adesão da categoria. Trabalhadores químicos, bancários, servidores públicos, entre outros setores, também fizeram paralisações parciais e panfletagens com as bases e a população em geral.

A partir das 17h, todos os caminhos levavam à avenida Paulista. Reunindo milhares de trabalhadores sem-teto, o MTST se concentrou na Praça do Ciclista. Aos poucos, cerca de 70 mil manifestantes, segundo os organizadores, tomaram a principal avenida da cidade, juntando militantes, sindicalistas e pessoas comuns defendendo o direito à aposentadoria.

Em frente ao MASP, falaram representantes das centrais sindicais e dos movimentos populares. “Não temos dúvida. O povo brasileiro não aceita abrir mão da aposentadoria e dos benefícios da Previdência, para entregar esse patrimônio à banqueirada sanguessuga da nação”, falou o secretário-geral da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora.

Guilherme Boulos, coordenador do MTST, disse que o Brasil vai parar se a reforma avançar no Congresso. “Dizem que, se não fizer reforma, a Previdência vai falir. Nós queremos perguntar por que não fazem reforma cobrando dívida das grandes empresas com o INSS, por que não fazem reforma acabando com as desonerações fiscais, por que não financiam a Seguridade Social cobrando imposto de banco e taxando grandes fortunas, fazendo o andar de cima pagar a conta?”, questionou em seu discurso.

Próximos passos

Nesta terça-feira (26), as centrais sindicais voltaram a se reunir. Na pauta, a avaliação da mobilização nacional e a definição das próximas atividades. O balanço consensual é de que os atos da última sexta-feira foram positivos, especialmente se considerada a agenda cheia após apresentação da PEC por Bolsonaro: Carnaval, dia internacional de luta das mulheres (8M) e a manifestação que marcou um ano do assassinato de Marielle Franco (14M).

Para Edson Carneiro Índio, da Intersindical, a mobilização de sexta-feira representou uma “resposta bastante importante e demonstra que, a medida que a população vai conhecendo o projeto, aumenta o processo de resistência e mobilização”.

Ao longo do mês de abril, o desafio conjunto das centrais sindicais, é realizar atividades de diálogo com a população. Já na próxima terça-feira (2), os sindicatos vão começar a recolher assinaturas para um abaixo-assinado contra a reforma. Mais do que coletar firmas, a iniciativa deve servir para se aproximar da população. Serão montadas barracas em locais de grande circulação, nas quais as pessoas também poderão simular suas perdas com a Reforma, usando a calculadora do Dieese. Em São Paulo, o lançamento da coleta de assinaturas será na Praça Ramos, centro, a partir das 10h.

Também foram encaminhadas atividades de conversa e pressão sobre parlamentares. Em 9 de abril, por exemplo, os dirigentes sindicais devem marcar presença no aeroporto de Brasília, encontrando deputados e senadores em trânsito. “A ideia é que agora a gente faça muitas atividades, com muito agito e movimentação, rumo ao 1º de maio unificado”, afirma Nilza Pereira, da direção da Intersindical.

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