A justificativa de Pedro Parente para mudar a política de preços e acelerar o programa de desinvestimentos foi a necessidade de reverter a situação financeira da Petrobras, que estaria abalada pelo controle de preços no período de 2011 a 2014, no primeiro governo Dilma, e pelos desvios de dinheiro apontados pela operação Lava Jato. O discurso negativo em relação às finanças da Petrobras leva em conta basicamente dois indicadores: o “valor de mercado” e o endividamento da companhia. São omitidos, por exemplo, os números de geração operacional de caixa – saldo entre receitas e despesas – e a liquidez corrente – capacidade de pagamento das dívidas.

Enquanto o valor de mercado oscila conforme a avaliação (e a especulação) dos agentes financeiros,
o valor real de uma empresa está na produção de
riqueza e nos ativos disponíveis.

O economista explica que o mercado financeiro opera sob lógica de curto prazo, enquanto a dinâmica de investimentos do setor petroleiro exige longos períodos até atingir retorno financeiro. .“É uma pena que o governo brasileiro, lá atrás, com

[o ex-presidente]

Fernando Henrique Cardoso, tenha vendido ações na bolsa. Isso joga a empresa em um mercado muito especulativo, frágil, de curto prazo. Empresas de petróleo são de longo prazo. Empresa que investe em um campo de petróleo, desde o início, até começar a produzir, leva seis anos. Só gastando dinheiro, e altíssimo dinheiro. [A Petrobras é] muito estratégica e de longo prazo. O mercado financeiro é o contrário: especulativo e de curto prazo”., afirma o economista do Ineep Cloviomar Cararine.

Por isso, o economista do Ineep Cloviomar Cararine defende que o valor de mercado é inadequado para medir o tamanho e a importância da Petrobras. “Acho muito ruim usar isso como referência, principalmente em uma empresa de petróleo, porque o valor da Petrobras é muito maior, mas muito maior, do que vale a empresa na bolsa. É difícil mensurar quanto vale a capacidade técnica de seus funcionários, quanto vale a sua reserva de petróleo para os próximos 50, 100 anos”, critica Cararine.

O principal exemplo da dinâmica de longo prazo da Petrobras é a descoberta do pré-sal, que inaugurou o período de maiores investimentos da história da companhia. Em 2005, quando foi anunciado o pré-sal, a companhia havia destinado menos de US$ 15 bilhões de dólares em investimentos. Com sucessivos aumentos, em 2013, o valor chegou a US$ 48,8 bilhões, mais do que triplicando o montante anual. No período seguinte, o grau de investimento diminui e, em 2016 e 2017, volta à casa dos US$ 15 bilhões, quando se inicia o período inverso, de “desinvestimento”.

O período de investimentos altos coincide com o aumento do endividamento. De 2006 a 2014, a dívida líquida da Petrobras passou de cerca US$ 8,6 bilhões para US$ 106,2 bilhões. Em cima disso se estruturou o discurso da “dívida impagável”, considerado o “mito fundador” das atuais políticas da companhia pelo presidente da Aepet, engenheiro Felipe Coutinho. Os números ainda seriam inflados quando convertidos para a moeda brasileira, devido à desvalorização do real no período. No entanto, como mais de 80% da dívida da Petrobras é em moeda estrangeira, a apresentação dos dados em dólar, para efeitos comparativos, garante maior precisão.

De qualquer forma, para Felipe Coutinho, a dívida da Petrobras é administrável, até porque boa parte dela tem prazos longos de amortização, que coincidirão com o aumento da produção de petróleo. .“A Petrobras fez o maior esforço de investimento na sua história. Investiu mais de US$ 45 bilhões por ano, em média. Os investimentos demoram de oito a dez anos para maturar, começar a gerar resultado. Esse esforço de investimento com recurso próprio levou a um endividamento alto, mas plenamente administrável na medida em que, depois de oito a dez anos, tem crescimento da produção. Nesse período você pode rolar a dívida, mas a questão é que existe esse tempo para maturar”..

Apesar do endividamento, a geração de caixa anual, a liquidez corrente e a reserva de caixa da Petrobras não foram abaladas. Entre 2012 e 2017, a geração operacional de caixa variou entre US$ 25,9 bilhões e US$ 27,1 bilhões. No mesmo período, o saldo de caixa passou de U$ 13,5 bilhões para US$ 22,5 bilhões. Quanto ao índice de liquidez corrente, que é a divisão anual entre os ativos e os passivos circulantes da empresa, nunca esteve abaixo de 1,5 (ou seja, para cada US$ 1 em despesa houve US$ 1,5 disponível).

Paralelamente, a exploração do pré-sal foi aumentando, chegando a representar 55% do óleo produzido pela Petrobras. A estimativa do presidente da Aepet, Felipe Coutinho, é de que, a partir de 2020, a geração de caixa chega a US$ 35 bilhões.

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