Epidemia de opiáceos: a crise silenciosa que devasta os EUA

A causa da epidemia é o uso excessivo de remédios como o OxyContin, que contém heroína e fentanilo, um analgésico utilizado em anestesias cirúrgicas

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Em 2015, ao menos 33 mil estadunidenses morreram por uso excessivo de opiáceos | Foto: AFP
Misión Verdad
Jornalistas e investigadores com o propósito de produzir informações verdadeiras sobre a realidade venezuelana. Material produzido em parceria entre Misión Verdad e Conflitos.

Nos Estados Unidos, entre 1999 e 2017, 700 mil pessoas morreram por overdose de algum tipo de droga. Dessas mortes, 1/3 foram causadas por opiáceos, substâncias derivadas do ópio que produzem insensibilidade à dor e forte sensação de relaxamento, encontradas em remédios e vendidas nas farmácias.

A pesquisadora, jornalista e repórter investigativa Amy Goodman, contribuindo para o site especializado TruthDig, comentou que “o principal fator de risco para uma pessoa se tornar adicto de opiáceos, e potencialmente morrer de overdose, é morar nas zonas rurais e estar em situação de pobreza”.

Os EUA vivem, em algumas
localidades, grave quadro
socioeconômico de precariedade
e pobreza. Estimulando o uso de
opiáceos junto com a “voracidade”
da indústria farmacêuticas para
aumentar os lucros, o país começou
a criar grande epidemia com o uso
excessivo de remédios, como o
OxyContin – que contém heroína
e fentanilo -, fabricado pela
companhia Purdue Pharma, de
propriedade da família Sackler.

Segundo alguns dados, 90 estadunidenses morrem diariamente por conta da epidemia. Catalogada como uma “crise nacional”, o governo se viu obrigado a decretar “estado de emergência” de saúde pública para liberar os recursos necessários para tentar minimizar a situação.

Desde 2015, quando morreram 33 mil estadunidenses por overdose, a epidemia se espalhou até ficar incontrolável. O alto custo para o tratamento desse vício – em torno de 70 mil dólares por ano – e o fácil acesso à heroína quando os remédios param de fazer efeito, implicaram um fator determinante para o aceleramento da crise.

Alguns autores apontam que a crise dos opiáceos reflete “o declínio do American Way of Life“. A extrema desigualdade dos EUA combinada com um “modelo de consumo frenético e infinito de consumo” causou uma “imensa ferida na sociedade estadunidense” e uma resposta “cruel” por parte da indústria farmacêutica e do governo.

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