Entre julho de 2017 até agosto deste ano, o preço dos combustíveis nas refinarias da Petrobras foram reajustados 466 vezes, somando gasolina e diesel. Para efeito de comparação, ao longo dos 14 anos de governos Lula e Dilma, foram 28 alterações.

No caso do gás de cozinha, foram 10 reajustes no mesmo período, enquanto que, nos governos petistas, houve apenas uma remarcação, em 2015.

A explicação está na mudança da política de preços, promovida por Pedro Parente, então presidente da Petrobras, que passou a permitir reajustes diários nas refinarias desde julho de 2017. Os números foram obtidos junto à Petrobras pela Lei de Acesso à Informação (LAI). A variação dos preços está ligada a basicamente dois fatores: cotação do barril de petróleo no mercado internacional e valor do real frente ao dólar. Para otimizar suas taxas de lucro, a Petrobras repassa tais variações aos distribuidores de combustíveis e, por tabela, ao consumidor brasileiro. No entanto, como mostram os números, o intervalo entre os reajustes pode ser mais largo se forem feitas avaliações de longo prazo.

“Nos governos Lula e Dilma as alterações de preços eram muito espaçadas. Você ficava com muitos meses com o preço fixo na refinaria. Em determinados anos, a Petrobras praticava preços acima do mercado internacional; em determinados anos, praticava abaixo, ou na média. Era bem estável, não tinham grandes variações repentinas. Já no governo Temer, com  Pedro Parente, chegou a um ponto de que era diário. Então a diferença é enorme”, considera o ex-engenheiro da Petrobras e consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo César Ribeiro Lima.


Gráfico do Ministério de Minas e Energia (MME) que aponta os reajustes de preços do diesel em relação às cotações internacionais

Como entre julho de 2017 e maio de 2018, a cotação do barril de petróleo saltou de US$ 45 para US$ 75 e o dólar saiu da casa dos R$ 3,20 para R$ 3,70, o preço final dos combustíveis no Brasil disparou.  O diesel passou, na média nacional, de R$ 3 para R$ 3,80. A gasolina foi de R$ 3,60 para R$ 4,60. E o gás de cozinha subiu de R$ 57 para R$ 70, de acordo com os levantamentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP). No mesmo período, a inflação acumulada foi de 2%.


Cotação internacional do barril de petróleo vem crescendo desde julho de 2017, como aponta gráfico do Ministério de Minas e Energia (MME)

O impacto recaiu tanto sobre a população mais pobre (gás de cozinha) quanto em setores assalariados e classe média (gasolina).  A reação mais explosiva, no entanto, veio do setor de transporte rodoviário (diesel), incluindo tanto grandes empresários quanto trabalhadores autônomos, com a greve dos caminhoneiros na última semana de maio. Ao promover o desabastecimento de diversos produtos por todo o país, o movimento colocou o governo Temer nas cordas.


Dólar disparou no início do ano e pressionou preço dos combustíveis.

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