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terça-feira, maio 21, 2019

EDITORIAL

Em tempos de fake news, redes sociais, informações difundidas por aplicativos de mensagens instantâneas e falta de razão no debate público, por que lançar um veículo jornalístico?

O processo eleitoral de 2018 ficou marcado pela disseminação de informações manipuladas, falsas ou duvidosas. Produzidas em escala industrial, circularam no subterrâneo dos grupos de família, amigos e trabalho.O jornalismo deixou de ser referência para a formação das preferências políticas e do voto. Mais do que um fenômeno brasileiro, o descrédito do discurso jornalístico se mostra como tendência global. Em algum momento, a internet e as redes sociais pareceram caminhos abertos para a pluralidade de vozes sociais. O que assistimos nas últimas semanas foi o contrário. O caos informativo foi facilmente canalizado para o projeto autoritário vencedor das eleições.

Ainda assim, segue de pé a convicção de que há espaço para o jornalismo profissional e independente.

As formas para agendar o debate público e fazer circular os conteúdos produzidos são desafios complexos, mas não intransponíveis. Nada indica que a demanda por debate, análise e visibilidade dos conflitos sociais será estancada. Enquanto houver conflito, o jornalismo terá missões a cumprir.

A vitória de Jair Bolsonaro coloca o país na rota do caos. Os direitos sociais, as políticas públicas e a soberania nacional estão em risco. A vida de muitas pessoas já foram ameaçadas. O jornalismo está colonizado pelos grandes anunciantes (bancos, agronegócio, redes varejistas) e, sobretudo, pelos interesses próprios das famílias proprietárias dos meios de comunicação. O interesse dessas elites (locais e globais) conflita diretamente com o interesse público e, portanto, com o código de ética da profissão jornalista. No jornalismo hegemônico brasileiro, não há pluralidade, não há contraponto.

O novo cenário nacional será o pano de fundo para o exercício da reportagem. O momento exige, mais do que nunca, compromisso ético dos jornalistas e transparência de fundo nos méritos das informações. O interesse público deve sobressair. Ao mesmo tempo, para dar vida ao Conflitos, a virtude que vamos almejar é a resiliência. Esperamos o mesmo do Brasil.

Conflitos é um veículo jornalístico sobre aspectos conflitivos da sociedade brasileira. Conflitos cobre os mal-estares sociais, discutindo quem somos e o que queremos do Brasil.  Conflitos coloca em destaque os enfrentamentos sociais do país, América Latina e mundo. Conflitos  é a informação em destaque. Conflitos é o debate qualificado. Conflitos  é formação social e política. Conflitos  é construção e ação.

Conflitos é Jornalismo

Conflito não é guerra. Conflitos é a explicitação da diferença, do problema, da questão. Democracia pressupõe diversidade, e ser diverso pode trazer conflitos – e traz – quando se vive em sociedade. Jornalismo como quarto poder é a organização que tem a formação e dever social de fazer a vigilância dos poderes instituídos como garantia de uma sociedade democrática.

Conflitos, este veículo jornalístico que se apresenta, visa abrir frestas na estética da guerra instituída em nossa sociedade , para que a vida em conflitos se articule com a dignidade humana, na superação das desigualdades, e com a fundamental convivência com a diferença. Conflitos, para isso, discute valores, mostra ações sociais, através de fatos e acontecimentos integra e cria imaginários possíveis para uma sociedade justa e democrática. Conflitos traz toda e qualquer questão social, ideológica, política para o debate, à luz de dados, informações consistentes, posicionamentos claros e contexto histórico. Conflitos é um veículo jornalístico noticioso. Busca apresentar o “quem, que, quando, onde, como e o porquê”, sendo que busca centrar no “porque”, nos motivos que levam a determinado acontecimento.

Nossos interesses são em temas como Moradia, Eleições, Violência, Saúde, Trabalho, Terra, Fome, Mobilidade, Educação, Ambiente, explicações sobre aspectos políticos, ideológicos, sociais ou históricos e posicionamento midiático. Conflitos também é uma rede de jornalistas e comunicadores no Brasil e na América Latina. Quer participar?

Conselho Editorial da Rede Conflitos
27 de fevereiro de 2019