Dos 20 clubes da “Série A”, apenas três se posicionam contra ditadura

Vasculhamos Twitter, Facebook, Instagram e sites dos times da elite do futebol brasileiro; em 17 deles não há qualquer menção ao golpe de 1964

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Diretoria corintiana leva estátua de Sócrates e réplica de faixa usada em 1983 para dentro do estádio. Foto: Bruno Teixeira / Corinthians

31 de março de 1964: golpe militar no Brasil. 24 de março de 1976: golpe militar na Argentina. Enquanto, em 2019, milhões foram às ruas do país vizinho há uma semana para dizer “Ditadura Nunca Mais”, no Brasil, o presidente comemorou abertamente o início do regime autoritário, que duraria 21 anos.

Separadas por exatamente uma semana,
a diferença de comportamento em relação
às datas também foi sentida no futebol.

No Dia Nacional da Memória por Verdade e Justiça, como foi batizado o 24 de março argentino, a maioria dos clubes se posicionaram ao lado da democracia em suas redes sociais; aqui, Corinthians, Vasco e Bahia foram os únicos a se manifestar.

Neste domingo, o Corinthians recebeu o Santos pelo jogo de ida da semi-final do campeonato paulista. Antes da bola rolar, a diretoria do clube deslocou a estátua de Sócrates, que fica no quarto andar da Arena Corinthians, para o setor norte das arquibancadas. Ídolo da torcida, Sócrates foi líder da Democracia Corinthiana e participou ativamente do movimento por “Diretas Já”, contra a ditadura militar.

Abaixo da estátua do ex-jogador,
o clube levou uma faixa com os dizeres
“Ganhar ou perder, mas sempre com
democracia”, os mesmos utilizados em
1983 pelos próprios jogadores do Corinthians
,
na entrada de jogo contra o São Paulo,
no Morumbi, pela final do Paulistão.

Vasco e Bahia também demarcaram posição contra a ditadura militar. O clube carioca lembrou a canção “O Bêbado e o Equilibrista”, de Aldir Branc, eternizada na voz de Elis Regina.

Já o clube baiano relacionou a data à democracia interno do clube.

Athletico Paranaense, Atlético Mineiro, Avaí, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Cruzeiro, CSA, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos e São Paulo não fizeram, até agora, qualquer menção ao golpe de 1964 em suas redes sociais e sites.

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