Argentina: líder sindical fala sobre última greve geral e situação do país

0
Paralisação das trabalhadores no dia 30 de abril na Argentina

Na véspera do Dia Internacional dos Trabalhadores, o sindicalismo argentino deu mais uma demonstração de força contra o governo de Mauricio Macri. Centrais e movimentos sociais convocaram uma paralisação nacional de 24 horas, que parou o país e levou milhares às ruas. Conflitos conversou com o secretário-geral da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA – Autónoma) Pablo Micheli, que falou da paralisação e da conjuntura local.

 

Conflitos – Como você avalia a paralisação nacional do último dia 30?
Pablo Micheli
– A greve do dia 30 teve uma adesão superior a 80% dos trabalhadores e trabalhadoras. As mobilizações que se realizaram em Buenos Aires e no resto do país foram multitudinárias, superaram mais de 1 milhão de pessoas em toda Argentina. Foi uma demonstração clara contra a política econômica do governo Macri e do FMI no país. Os setores mais mobilizados foram os trabalhadores organizados nas duas CTAs, na Corrente Federal de Trabalhadores e na Frente Sindical para o Modelo Nacional (FSMN), que é conduzido pelo setor dos caminhoneiros argentinos.

“O papel do movimento sindical nas próximas eleições não pode ser outro a não ser o de ajudar a conduzir uma grande frente nacional que una todos os setores combativos do campo popular”.

Conflitos – Como no Brasil, o movimento sindical tem diferentes centrais, que papel cumprem as CTAs com relação à CGT, que é a maior central?
Pablo Micheli – 
O papel das duas CTAs é chave, pois somos as organizações que empurramos as demais e, muitas vezes, obrigamos a CGT a tomar decisões a favor dos trabalhadores. Há dirigentes da CGT que representam sindicatos importantes, mas que estão burocratizados e são oficialistas de todos os governos. Não estão dispostos a fazer paralisações, greves gerais e mobilizações. Mas a posição firme e convencida das duas CTAs. Indo à luta contra o ajuste, muitas vezes obriga esses setores da CGT a participarem. Provavelmente a CGT vai se somar na próxima ação, pois não vai sobrar outra opção. Depois dessa paralisação de 24 horas, vamos chamar uma de 36 horas, novamente com mobilização em todo o país.

“Não podemos abandonar as ruas na luta contra o ajuste”, diz o líder sindical Pablo Micheli.

Conflitos – Qual a estratégia do governo Macri para responder às mobilizações do movimento sindical?
Pablo Micheli – 
O governo Macri tem uma estratégia de repressão e perseguição às organizações sindicais, além de cooptação de alguns dirigentes. Essa estratégia não vai mal, mas não é suficiente para frear a luta que levamos adiante. Até o momento vamos ganhando a queda de braço. As paralisações e as mobilizações estão se concretizando.

Conflitos – No geral, como o povo argentino tem sido impactado pela política econômica do governo?
Pablo Micheli – 
O povo trabalhador foi impactado de maneira terrível pela política neoliberal, em especial com perda de poder aquisitivo frente à escalada do dólar das taxas de juros, com a especulação financeira. A Argentina vive um processo de acumulação de capital financeiro acima da produção e isto quem paga somos os trabalhadores, os aposentados. Pagamos com precarização do trabalho, mais pobreza e a maioria da população em uma situação cada vez mais crítica.

“A ministra de Segurança, Patricia Bullrich, é Bolsonaro de saias”

Conflitos – Como o movimento sindical vê as próximas eleições na Argentina?
Pablo Micheli –  O papel do movimento sindical nas próximas eleições não pode ser outro a não ser o de ajudar a conduzir uma grande frente nacional que una todos os setores combativos do campo popular. O movimento operário, os movimentos sociais e os setores mais dinâmicos que têm enfrentado as políticas neoliberais atuando juntos. Acho que esse é o papel mais importante, sem abandonar as ruas na luta contra o ajuste.

Conflitos – Por último, há um impacto do governo Bolsonaro na política argentina?
Pablo Micheli –  O “efeito Bolsonaro” está representado pela ministra de Segurança, que é Bolsonaro de saias, e se chama Patricia Bullrich. Ela tem as mãos cheias de sangue, porque sempre usa da repressão para tentar calar os protestos dos trabalhadores. É claro que há uma diferença. Macri não tem a força que tem Bolsonaro no Brasil, porque está em seu último período de governo e não pode aplicar a mesma política repressiva. Ainda que sempre use a política dos cassetetes, balas de borracha e gás de pimenta, não é o mesmo nível.  O que temos visto do governo Bolsonaro é uma orientação totalmente fascista.

DEIXE UMA RESPOSTA

Envie o comentário
Por favor, coloque seu nome aqui