Bibliotecas públicas entre o céu e o inferno no DF

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Biblioteca Nacional . ROBERTO CASTRO/Mtur
Enquanto algumas bibliotecas públicas do DF possuem um bom funcionamento, outras vivem no improviso e na precariedade.

Isabella Veloso, Ygor Wolf, Louani Badu, Guilherme Damasceno

Monica Ribeiro é coordenadora da Biblioteca Pública de Águas Claras há três anos. Seu trabalho é cuidar dos cerca de 10 mil livros disponíveis e atender os mais de 800 usuários por mês. O espaço fica em um prédio que, anteriormente, era utilizado para venda de imóveis. Ela conta que o lugar é inadequado para guardar o acervo e muito pequeno para receber os visitantes. “Colocaram aqui de improviso, já até recusei livro porque não tem espaço para colocar”, lamentou.

A Biblioteca Pública de Planaltina, cidade-satélite há aproximadamente 37 km de Brasília, está situada ao lado da regional de ensino e atrás da Feira de Utilidades da cidade. Foto de Ygor Wolf.

A 15 km dali, na Região Administrativa do Cruzeiro, Thiago Machado, estudante do 3º ano do ensino médio estuda para o ENEM na biblioteca pública da região, de segunda a sexta-feira, no período da tarde. A meta é conquistar uma vaga em Medicina na Universidade de Brasília. No espaço ele tem acesso a uma ampla sala de estudos, ar condicionado e internet grátis. A biblioteca oferece ainda espaço infantil, auditório, sala de reunião e 15 computadores.

A Biblioteca Pública de Planaltina, cidade-satélite há aproximadamente 37 km de Brasília, está situada ao lado da regional de ensino e atrás da Feira de Utilidades da cidade. Foto de Ygor Wolf.

O Distrito Federal possui 26 bibliotecas públicas, que estão sob responsabilidade das Administrações Regionais das cidades satélites, com exceção da Biblioteca Pública de Brasília, administrada pela Secretaria de Estado de Cultura, vinculado ao GDF.  A reportagem visitou 15 dos estabelecimentos em outubro e constatou a diferença na estrutura dos espaços. Enquanto alguns possuíam bons móveis, área ampla e confortável, outras foram instaladas em locais impróprios com poluição sonora, problemas hidráulicos e sem climatização adequada para conservar os livros.

As disparidades podem ser percebidas principalmente porque algumas passaram por reformas completas nos últimos dois anos. Entre elas, a biblioteca de Brasília e a do Cruzeiro. Já em Águas Claras, o espaço realizou reformas hidráulicas, em janeiro, devido à infiltrações no prédio, mas ainda possui problemas com o tamanho do espaço. No Paranoá, o estabelecimento está fechado há quatro meses, mas a assessoria da Administração informou que as obras de reparos iniciarão nos próximos dias.

Orçamento

Embora sejam as administrações regionais que cuidam das bibliotecas, estas dependem do Governo do Distrito Federal (GDF) para o repasse de verbas. De acordo com a Coordenadora da Biblioteca Nacional da República, Marmenha Rosário foram repassados pelo GDF  aproximadamente R$ 4 milhões em 2018, para os gastos com a manutenção, conservação e higienização dos livros desses estabelecimentos. Para o ano de 2019 o orçamento previsto pela Secretaria de Estado de Cultura, é de R$ 6 milhões. No entanto, esse valor não inclui os gastos com aluguel, manutenção predial, funcionários, nem gastos com água, telefone e luz.  

Em reunião da Biblioteca Nacional com os Coordenadores das Bibliotecas Públicas do DF, no dia 29 de novembro, os bibliotecários reclamaram das dificuldades financeira enfrentadas pelas bibliotecas públicas devido aos valores disponibilizados pelo governo, que eles consideram irrisórios. Além disso, acredita-se que há uma negligência do Estado em relação a esses espaços. Esta é a constatação de Iza Antunes Araujo, bibliotecária aposentada que atuou na área desde 1972 e já foi presidente da Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal (ABDF). “As prioridades sempre foram outras e a vontade política inviabilizou muitos projetos de melhorias para as bibliotecas”, declarou.

Uma das formas encontradas para adquirir mais recursos é a realização de convênios com a Secretaria da Educação e da Cultura. É o caso da biblioteca pública de Taguatinga que recebe desses órgãos livros e suprimentos físicos, como cadeiras e mesas de estudo.

Biblioteca Pública de Taguatinga. Em 2017 a biblioteca Machado de Assis se tornou um patrimônio tombado de Brasília. Foto de Louani Badu.

Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos respostas da Secretaria de Cultura, nem do Governo do Distrito Federal.

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