Ato pela Venezuela reúne 11 países latino-americanos em SP

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Militantes de Brasil, Argentina, Uruguai, Peru, Equador, Venezuela, Colômbia, Chile, Panamá, Cuba e Nicarágua se reuniram no auditório da Apeoesp

Mais de 300 pessoas passaram pelo sindicato dos professores de São Paulo (Apeoesp) para demonstrar seus desejos de paz na Venezuela e rechaçar as tentativas de intervenção externa lideradas pelo governo estadunidense de Donald Trump. O evento foi organizado pela Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, em parceria com a frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, e teve a participação de dezenas de organizações socais, políticas e sindicais de 11 países distintos.

A diretora da Intersindical Heloisa Pereira abriu o ato lembrando da responsabilidade de converter os debates em ações concretas para impedir que o Brasil e qualquer país latino-americano embarquem em uma possível externa à Venezuela patrocinada pelo imperialismo estadunidense.

Dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo, expôs que, para o movimento, a batalha pela paz na Venezuela é uma das mais importantes da luta de classes dos últimos anos. “Fazer a defesa da Venezuela é defender nosso continente. Não podemos ter dúvida sobre isso”, enfatizou.

Representando o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Ana Santana contou que o movimento tem se esforçado para debater a ação intervencionista na Venezuela nas periferias onde atua. “Cabe a nós, enquanto movimento social e frente de luta, encampar a luta pela soberania do povo venezuelano em todos os espaços”.

Julio Turra, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendeu que o centro da atuação de solidariedade internacional à Venezuela é a bandeira da paz. “Não à guerra e não à intervenção, independentemente da opinião sobre o governo”, declarou. Carlos Muller recordou, pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), do artigo 4º da Constituição Federal de 1988, que consagra a política internacional de diálogo e não intervenção externa.

Para o presidente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Juliano Medeiros, há uma parte da esquerda que está com medo do tema da Venezuela, mas “não podemos ter medo em nenhum quando se trata da defesa da autodeterminação dos povos”. Medeiros afirmou ainda que a Venezuela é “laboratório da nova onda de intervenções imperialistas, com sabotagem econômica e terrorismo midiático”.

Nivaldo Santana falou em nome do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Para ele, o governo estadunidense foi quem provocou o colapso no fornecimento de energia elétrica na Venezuela e “adota conjunto de medidas que têm objetivo de liquidar com a experiência vitoriosa da Revolução Bolivariana”.

Em nome da Central dos Movimentos Populares (CMP), Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, que tem nacionalidade venezuelana, afirmou que “a Venezuela tem a maior democracia que já vivi na minha vida” e lutar contra o imperialismo é “valorizar o direito à vida” do povo do país vizinho.

Delegações estrangeiras

Carmela Sifuentes, da Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP), reconheceu que a situação latino-americana, mas não é impossível revertê-la. O argentino Sergio González, representando a Federação Social Mundial (FSM), chamou atenção para as bases militares estadunidenses que se espalham pela América Latina, estrategicamente posicionada em locais ricos em recursos naturais e energéticos. “Depois da Venezuela, eles vêm atrás de nós, dos nossos recursos”, alarmou.

Vindo do Chile, o dirigente sindical Christian Cuevas, lembrou que o imperialismo provocou o “horror das ditaduras na América Latina” nas décadas de 1960 e 1970 e a luta pela paz na Venezuela significa resistir para que isso não aconteça novamente. Huber Ballesteros, sindicalista colombiano, falou que o que acontece em Venezuela nos leva a um período ainda mais antigo. “Representa o estandarte da luta anticolonizadora. Como disse Simón Bolívar há 200 anos, a liberdade a Venezuela é necessária para liberdade de toda a América. Hoje esta frase mantém sua vigência”.

O cubano Ismael Drullet, da Central dos Trabalhadores Cubanos, afirmou que seu país mantém “respaldo permanente ao presidente Nicolás Maduro”. “A Revolução Cubana é irmã da Revolução Bolivariana. Somos governos irmãos e povos irmãos. Invadir a Venezuela é invadir Cuba e toda América Latina”, defendeu. Miguel Ruiz, da Central Sandinista Trabalhadores de Nicarágua, contou que seu país viveu tudo o que agora vive a Venezuela. “Fomos jovens à guerra para derrubar a ditadura de Somoza e depois defender nossa revolução, com mais de 100 mil mortos”. Lembrou ainda que “quando a Nicarágua não tinha energia, Hugo Chávez instalou duas plantas elétricas no país”.

O uruguaio Marcos Lombardi sustentou que “os Estados Unidos estão acostumados a saquear nações e colocar fantoches no poder, mas no caso da Venezuela a intervenção representa também a tentativa de derrubar um governo sustentado pelos trabalhadores”. Por fim, defendeu que o movimento sindical deve assumir a bandeira de “lutar pela segunda independência” dos países latino-americanos.

O venezuelano Hector Melena fechou o ato representando o Comitê Brasileiro Pela Paz na Venezuela. Ele afirmou que o ato o enche de esperança na luta pela paz de seu país.

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