Assassinato de jornalista tensiona Oriente Médio

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No dia 2 de outubro, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, colunista do jornal estadunidense The Washington Post, desapareceu depois de entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul, capital da Turquia. Após negar por duas semanas, a monarquia saudita acabou admitindo que Khashoggi morreu dentro do consulado: segundo uma “investigação preliminar”, ele teria morrido após “uma briga” com pessoas que conheceu no local. O governo turco, por sua vez, afirma que tudo indica que o assassinato não foi uma causalidade, mas “fruto de planejamento” de agentes sauditas. A imprensa turca afirma que seu corpo foi esquartejado em uma operação de sete minutos.

Detentor da maior reserva de petróleo do mundo, o Reino da Arábia Saudita é uma monarquia absolutista e teocrática, com população majoritariamente sunita.

Apesar do histórico de violações de direitos humanos, autoritarismo contra opositores e indícios de financiamento de grupos terroristas, o país é aliado estratégico dos Estados Unidos na região. A repercussão internacional do assassinato de Jamal Khashoggi, entretanto, tem estremecido as relações com a Casa Branca. Donald Trump fala na necessidade de represálias ao governo saudita.

O caso Khashoggi pode rearranjar as disputas pela liderança regional do Oriente Médio

Para o analista Tolga Tanis, correspondente nos Estados Unidos do jornal turco Hürriyet, o assassinato do jornalista do Washington Post, crítico ferrenho da monarquia saudita, se insere na disputa pela liderança regional sunita que hoje envolve dois campos: de um lado, Turquia e Catar; de outro, Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes.

.“O governo turco tem seguido e até ajudou a alimentar a mídia internacional através de vazamentos. Isto não é porque [o presidente turco Recep] Erdoğan é um ardente defensor da liberdade de imprensa — ele certamente não é — mas porque dá a ele vantagem contra o príncipe [saudita] no conflito regional”..

Khashoggi, que escolheu Erdoğan nesta luta por influência, é talvez a mais notável vítima desta guerra no mundo sunita. “E que maior simbolismo existe do que ser morto e desmembrado na antiga capital do Império Otomano, cujos herdeiros [turcos] lutam para recuperar a liderança do mundo muçulmano?”, analisa Tolga Tanis em artigo publicado no Yahoo.

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