As 10 revelações de Assange que mudaram a forma de ver o poder

Entre as relevações, está um vídeo em que soldados dos EUA atiram em civis durante a guerra do Iraque e Afeganistão

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WikiLeaks publicou milhões de documentos considerados restritos e secretos em mais de 20 idiomas | Foto: Arquivo
Misión Verdad
Jornalistas e investigadores com o propósito de produzir informações verdadeiras sobre a realidade venezuelana. Material produzido em parceria entre Misión Verdad e Conflitos.

Em 15 anos de atividade, o WikiLeaks divulgou mais de 10 milhões de documentos considerados restritos ou secretos. A maioria deles é relacionado aos planos secretos de inteligência, segurança e guerra do governo dos Estados Unidos.

O WikiLeaks, uma fundação encabeçada por Julian Assange,
vem sendo a vanguarda na divulgação desses tipos de documentos. Tanto é que, há anos, as principais figuras públicas
do grupo
são perseguidas pelos Estados Unidos e aliados, como a
Suécia e a Grã-Bretanha. 

Desde 2012, Assange estava refugiado em um pequeno quarto na embaixada do Equador, em Londres, até que o governo de Lenín Moreno deixou de conceder a proteção e o líder do WikiLeaks foi preso.

Por conta desse episódio, decidimos elencar as 10 principais informações divulgadas pelo grupo que, de alguma maneira, mudou a geopolítica e a forma que vemos o poder das grandes e pequenas potências.

1. Os arquivos de Guantánamo

Prisioneiros de Guantánamo em “posição disciplinas” ao lados de soldados estadunidenses | Foto: Arquivo

Em 2007, o WikiLeaks publicou milhares de documentos e informações sobre o presídio estadunidense de Guantánamo, em Cuba, inaugurado em 2002 pelo governo Bush. Os documentos trazem detalhes sobre os prisioneiros e os métodos de tortura utilizados diariamente contra eles, além de um “programa de procedimento” para o tratamento de pessoas “suspeitas de terrorismo”. A Cruz Vermelha confirmou que “não são todos os prisioneiros de Guantánamo suspeitos de terrorismo”. Veja AQUI o documento publicado pelo WikiLeaks.

2. Notícias secretas das guerras do Afeganistão e Iraque

Soldado estadunidense e crianças iraquianas em Bagdá, em 2008 | Foto: Wikipedia

War Diaries foi lançado em 2010 com quase 400 mil relatórios sobre a cobertura da guerra do Iraque – 2004 a 2009. Nos relatórios podemos encontrar desde os detalhes dos equipamentos militares utilizados pelos EUA, informações dos civis mortos na guerra, até informações sobre os abusos e torturas realizadas nos prisioneiros. Para ler os documentos citados clique AQUI.

3. Cablegate e a lupa na diplomacia Estadunidense

Embaixada dos EUA em Berlim, na Alemanha | Foto: Mutter Erde / Wikipedia

Em 2010, o WikiLeaks lançou milhões de telegramas diplomáticos escritos entre 1966 e 2010 mostrando as orientações da alta cúpula da diplomacia estadunidenseHenry Kissinger, entre eles – dando instruções às suas embaixadas para espionar políticos de outros países. A divulgação dos telegramas ficou conhecida como Cablegate. Os telegramas reforçaram a piada: “Porque não tem golpe de Estado nos Estados Unidos? Porque não existem embaixada dos Estados Unidos nos Estados Unidos”. Veja os telegramas AQUI.

4. Assassinato colateral

Com arquivos fornecidos em 2010 por Chelsea Manning, ex-soldado do Exército dos Estados Unidos, o WikiLeaks trouxe à luz um vídeo intitulado “Assassinato Colateral que mostra militares estadunidenses disparando contra civis em Bagdá, capital do Iraque, quando sobrevoavam a cidade com os helicópteros Apache. Entre os mortos, está um jornalista da Reuters. A gravação é de 2007 e está legendado.

5. Os documentos de Stratfor

Stratfor é conhecida como “a CIA nas sombras” por conta das suas parcerias com a “comunidade de inteligência” estadunidense | Foto: Publika.md

Entre 2012 e 2013, foram filtrados mais de 5 milhões de e-mails da Stratfor, empresa privada de inteligencia dos EUA.The Global Intelligence Files – nome dado ao projeto de exibição das mensagens – divulgou inúmeros documentos em que mostra os detalhes da rede de vigilância massiva dos Estados Unidos, liderada pela National Security Agency (NSA). Divulgou, também, informações sobre as operações secretas realizadas pela Casa Branca na Síria, entre 2004 e 2011, deixando explícita a relação íntima que existe entre a comunidade de inteligência e segurança estadunidense e algumas empresas privadas que funcionam como “serviços não-governamentais” a mando do governo dos EUA. Veja o ARQUIVO.

6. TPP, TTIP, TISA: documentos revelados

Os acordos secretos só não foram assinados devido ao isolamento econômico de Donald Trump | Foto: WikiLeaks

De 2013 a 2016, o WikiLeaks publicou sucessivos documentos denunciando que o governo dos EUA estava negociando secretamente os tratados de livre comércio conhecidos como Cooperação Econômica do Transpacífico (TPP, em inglês), Associação Transatlântica para o Comércio e Investimento (TTIP, sigla em inglês) e Acordo sobre o Comércio de Serviços (TISA, em inglês). Antes da eleição de Donald Trump, Washington tinha como estratégia um novo sistema econômico que afetaria profundamente a autonomia e a soberania de países em todo o mundo, com livre comércio para as empresas estadunidenses em outros países. Esses acordo nunca foram anunciados oficialmente, mesmo depois da divulgação dos documentos que podem ser vistos AQUI.

7. Corporações desnudadas

O derrame tóxico da Trafigura na Costa do Marfim, África, afetou mais de 100 mil pessoas | Foto: Trafigura

Desde a sua fundação em 2006, o WikiLeaks publicou vários arquivos de empresas transnacionais que continham informações secretas, como as dos arquivos que revelaram as consequências do derramamento de produto tóxico pela empresa de energia Trafigura, na Costa do Marfim, que afetou mais de 100 mil pessoas. Na mesma operação, descobriu-se que os meios de comunicação ingleses foram cúmplices ao mascarar os efeitos do derramamento. Descobriu, também, como os negócios off-shore (empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação para fins lícitos) do banco suiço Julius Bär Group e as conexões da Casa Branca e o complexo industrial-militar da companhia japonesa Sony. Não só a política governamental, mas a política das corporações eram alvos da organização de Assange.

8. Espionagem global como ferramenta geopolítica

A NSA é reconhecida por criar uma vasta rede de espionagem em todo o mundo | Foto: Arquivo

Em 2016, foi revelado em primeira mão que a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) grampeou telefonemas da chanceler alemã Ângela Merkel, do ex-secretário-geral da Nações Unidas, Ban Ki-Moon e da presidente da República do Brasil na época, Dilma Rousseff. A CIA também teria interceptado mensagens da diplomacia italiana para espionar as conversas do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre Barack Obama. Além disso, espionou as conversas dos ministros da União Europeia e do Japão para saber os detalhes dos acordos entre eles e, assim, evitar a “intromissão estadunidense” em suas relações internacionais. Isso tudo, com uma única finalidade: acumular informações para usá-las em benefício dos seus próprios interesses nas relações geopolíticas em todo o mundo. Tudo isso e mais um pouco poder ser lido AQUI.

9. A queda de Hillary Clinton

Hillary e Bill Clinton, junto a sua filha Chelsea, lideram a corrupta Fundação Clinton | Foto: Kevin Mazur / Getty Images

Durante o ano de 2016, foram publicados 44 mil e-mails do Comitê Nacional do Partido Democrata que evidenciaram a campanha de sabotagem conta a candidatura de Bernie Sanders em favor de Hillary Clinton dentro do partido. Em torno de 30 mil desses e-mails pertenciam ou foram enviados à Hillary quando ocupava o cargo de secretária de Estado de Barack Obama. Seu papel no golpe de Estado em Honduras, em 2009, os negócios corruptos da Fundação Clinton no Haiti, os plano secretos para intervenção na Síria, os milhões de dólares que ganhou para dar palestras em bancos e empresas estadunidenses, foram informações fundamentais para a queda de Hillary na corrida presidencial contra Donald Trump para a Casa Branca. Conheça os ARQUIVOS.

10. A CIA digital, apresenta…

Funcionários da CIA na sede central em Langley, Virginia | Foto: CIA

Em 2017 foi publicado o Vault 7, a maior publicação de documentos sobre a Agência Central de Inteligência (CIA, em inglês) até o momento. Na publicação, pode-se ler como a CIA tem um imensurável arsenal de informática para hackear sistemas e computadores. O mais importante dessa revelação foi a certeza de contratações, feitas pela CIA, de hackers para roubar informações. As ferramentas de trabalho dos hackers são os malware, vírus, produção de ataques cibernéticos e instalação de sistemas de controles remotos de computadores. Todas as informações roubadas pela CIA estão em posse de “piratas da informática”, que podem, por exemplo, saber “qual é o seu endereço de IP” e “tudo que se faz em seu computador”. Leia AQUI os arquivos.

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