AMLO faz discurso histórico no Congresso e toma posse em nome de um governo para o bem-estar social. “Hoje iniciamos a quarta transformação política do México, pode parecer pretensioso ou exagerado, mas hoje não só começa um novo governo, começa uma mudança de regime político”, afirmou.

A posse de López Obrador em um cenário político mundial voltado à extrema-direita, representa esperanças. Não somente a de seus 30,11 milhões
de eleitores, mas também as de todo o campo progressista, principalmente o da América Latina.

Como o 65o. presidente do México, o primeiro progressista em 195 anos republicanos, sua candidatura e vitória resulta de um processo de reconstrução da esquerda mexicana pelo Movimento Regeneração Nacional – Morena, criado em 2011 como organização civil para apoiar a candidatura do “Peixe” à presidência, passou a partido político, em 2014.

Nesse sábado, em meio a frases como “É uma honra estar com Obrador” (en espanhol, a rima “És un honor estar con Obrador”) e “Presidente. Presidente”, AMLO reafirmou compromissos de campanha, mediate familiares, congressistas e os convidados presentes.

Associou a corrupção ao neoliberalismo, e prometeu governar para acabar com ambos nas estruturas do poder federal. Anunciou a quarta transformação política, aquela em que o governo é do povo e para o povo, num estado de bem-estar social.

Projetos e investimentos para manter os mexicanos em seus locais de origem, e para apoiar os países da América Central, com vistas a reduzir o fenômeno migratório são algumas das propostas que já começou a discutir com os governos dos Estados Unidos e do Canadá.

Falou sobre reformas que não deram certo e projetos de infraestrutura, como a construção de portos, vias férreas e de uma nova refinaria de petróleo. E também sobre “franjas de desenvolvimento”. A última delas será ao norte, na fronteira com os Estados Unidos, que se constituirá na maior zona de livre comércio do mundo com 3.180 quilômetros em 25 metros de largura na borda norte mexicana. Será a ultima fronteira para evitar a saída dos mexicanos.

No Zócalo da Cidade do México, milhares de pessoas se reuniram para acompanhar em um telão gigante o discurso de AMLO no Congresso e, logo após, o receberam como seu novo presidente. O Zócalo é uma praça monumental rodeada pela sede do governo Federal, o Palácio Nacional, a Catedral, a sede do governo da Cidade do México e o Poder Legislativo, todos prédios imponentes, e o principal local de encontro e manifestações populares e cívicas do país.


Zócalo recebeu 150 mil pessoas para ouvir López Obrador. Video: Santiago Arau.

Mexicanos de todas as regiões foram homenagear AMLO, sendo que líderes sociais e médicos tradicionais de Veracruz, Novo León, Nayarit, Chiapas, Tabasco e Oaxaca se destacaram no evento. Tabasco é a origem de López Obrador e um dos estados que muito contribuiu para sua candidatura.

Os movimentos de direitos humanos e ativistas mexicanos demonstraram uma única preocupação: apresentação das Forças Armadas como base para a criação da Guarda Nacional. AMLO havia prometido a desmilitalização durante a campanha e, no discurso da posse, reconheceu o Exército como uma força revolucionária proveniente do povo, que não possui ambição econômica ou política. Assim, irá compor e estruturar a nova segurança pública.

Momentos simbólicos

A bênção dos sacerdotes e médicos tradicionais no Zócalo . Descendente de indígenas, ao permitir o ritual de purificação e proteção, AMLO reitera origens e indica o local das culturas tradicionais e originárias em seu governo. O conhecimento ancestral das distintas etnias mexicanas está atualizado nos centros de medicinas tradicionais em todo o país, programas sociais  e de saúde pública integram a cultura popular que agora passa a ser reconhecida no poder central.

A entrega do “Bastão de Mando”. Ao receber este bastão de 68 diferentes etnias, o novo presidente é reconhecido pelos povos indígenas como seu mandatário e instado a comprometer-se com a multiculturalidade. Este é um símbolo sagrado dos povos originários  que significa o poder emanar do poco. “Que este símbolo sirva para que você mande obedecendo ao povo. Aqui está o bastão de mando que o guiará para governar o México”, disse um dos médicos tradicionais.

AMLO e esposa rodeados de representantes de 68 povos originários do México. Foto: Pablo Gentille.

 A tomada de Los Pinos . A residência oficial dos presidentes mexicanos desde 1934 foi aberta como espaço cultural. Desde cedo, em filas, os visitantes esperaram no sábado pela manhã para percorrer o local que foi casa e escritório de seus mandatários nos últimos 84 anos.  Localizada no belo Bosque de Chapultepec, Los Pinos, com 56 mil m2, 14 vezes maior do que a Casa Branca estadunidense. integrará um dos maiores espaços culturais públicos do mundo.

Íntegra do discurso de posse de AMLO no Congresso

Deputadas e deputados. senadoras, senadores, autoridades locais e federais. Convidadas e convidados do exterior. Sr. Enrique Peña Nieto, agradeço sua atenção. Mas, acima de tudo, reconheço o fato de não ter interferido, como fizeram outros presidentes, em eleições presidenciais anteriores.

Já sofremos este atropelo antidemocrático e valorizamos que o presidente em exercício respeite a vontade do povo. Por isso, muito obrigado, senhor Peña Nieto.

Amigas e amigos, por mandato do povo hoje iniciamos a quarta transformação política do México, pode parecer pretensioso ou exagerado, mas hoje não só começa um novo governo, hoje começa uma mudança de regime político.

A partir de agora, uma transformação pacífica e ordeira será realizada, mas ao mesmo tempo profunda e radical, porque colocará um fim à corrupção e à impunidade que impedem o renascimento do México.

Se definirmos brevemente as três grandes transformações em nossa história, poderíamos resumir que na Independência se lutou por abolir a escravidão e alcançar a soberania nacional, na Reforma pelo predomínio do poder civil e pela restauração da República. E na Revolução, nosso povo e seus líderes extraordinários lutaram por justiça e por democracia.

Agora, queremos transformar a honestidade e a fraternidade em um modo de vida e de governo. Não se trata de questão retórica ou propagandística, esses postulados se sustentam na convicção de que a crise no México se originou, não somente pelo fracasso do modelo econômico neoliberal aplicado nos últimos 36 anos, mas também pelo predomínio neste período da mais imunda corrupção pública e privada.

Em outras palavras, como repetimos há muitos anos, nada prejudicou mais o México do que a desonestidade dos governantes e da pequena minoria que lucrou com sua influência.  Essa é a principal causa da desigualdade econômica e social, e também da insegurança e violência que sofremos.

Quanto à ineficiência do modelo econômico neoliberal, basta dizer que, mesmo em termos quantitativos, não produziu bons resultados. Lembrem-se que depois da violenta fase da Revolução, desde o anos 30 até os 70 do século passado, isto é, durante 40 anos, a economia mexicana cresceu a uma taxa média anual de 5%. E durante esse mesmo período, em dois mandatos presidenciais consecutivos, de 1958 a 1970, quando Antonio Ortiz Mena era ministro da Fazenda, a economia do país não só cresceu 6% ao ano, como tal avanço foi obtido sem inflação e sem aumentar a dívida pública. A propósito, Ortiz Mena não era economista, mas advogado.

Posteriormente, houve dois governos, de 1970 a 1982, em que a economia também cresceu a uma taxa de 6% ao ano, mas com sérios desequilíbrios macroeconômicos, isto é, com inflação e endividamento.

Quanto à política econômica aplicada durante o período neoliberal, de 1983 até hoje, tem sido a mais ineficiente da história moderna mexicana. Nesse período, a economia cresceu 2% ao ano e, tanto por isso como pela tremenda concentração da renda nas mãos de poucos, a maioria da população empobreceu, levando-a a buscar a vida na informalidade, a emigrar massivamente do território nacional ou a tomar o caminho de condutas anti-sociais.

Digo isso com realismo e sem preconceitos ideológicos: a política econômica neoliberal foi um desastre, uma calamidade para a vida pública do país. Por exemplo, a reforma energética, que nos disseram viria para nos salvar, significou apenas a queda na produção de petróleo e o aumento excessivo nos preços da gasolina, gás e eletricidade. Quando a reforma energética foi aprovada, há quatro anos, afirmou-se que o investimento estrangeiro ia ser abundante, como nunca antes. O resultado é que mal chegou a 760 milhões de dólares de capital estrangeiro, o que representa apenas 1,9% do investimento público incipiente feito pela Pemex (Petróleos Mexicanos – empresa estatal petrolífera)  no mesmo período, e apenas 0,7% do investimento prometido.

Considerando as leis aprovadas na época, foi assegurado que neste ano estaríamos produzindo 3 milhões de barris diários, e a realidade é que estamos extraindo apenas 1 milhão e 763 mil barris por dia. Ou seja, 41% menos do estimado e com tendência à queda.

É tão grave o dano causado ao setor energético nacional durante o neoliberalismo, que não somente somos o país petroleiro que mais importa gasolina no mundo, como agora já compramos petróleo cru para abastecer a únicas seis refinarias que mal sobrevivem, tendo-se em conta que precisamente há 40 anos não se controi uma nova refinaria no país.

Aqui acrescento outros saldos da política econômica neoliberal ou neoporfirista (referindo-se ao ex-presidente Porfírio Diaz. Para López Obrador, PRI e PAN seguem o modelo neoliberal autoritário e personalista instaurado por Diaz, independente da “persona” do presidente).

O milho é originário do México, essa planta abençoada, e somos a nação que mais importa milho do mundo. Antes do neoliberalismo, produzíamos e éramos auto-suficientes em gasolina, diesel, gás, energia elétrica. Agora compramos mais da metade do que consumimos desses insumos.

Nesse período, o poder aquisitivo do salário mínimo
se deteriorou em 60% – e o salário dos mexicanos
está entre os mais baixos do planeta. Temos o dobro
de diabéticos em comparação com os demais países
da América Latina.

Durante o período neoliberal, nos tornamos o segundo país do mundo com a maior migração. Vivem e trabalham nos Estados Unidos, 24 milhões de mexicanos. E no que diz respeito à violência, estamos nos primeiros lugares do mundo.

De acordo com a última pesquisa da Transparência Internacional, ocupamos o 135º lugar em corrupção, entre 176 países avaliados. E passamos a este local depois de estarmos em 59º, em 2000, subir para 70º, em 2006, escalar para 106º, em 2012 e chegar em 2017 à vergonhosa posição em que nos encontramos.

Por isso, insisto. A marca do neoliberalismo é a corrupção. Soa forte, mas a privatização tem sido sinônimo de corrupção no México. Infelizmente, esse mal quase sempre existiu em nosso país, mas o que aconteceu durante o período neoliberal não tem precedentes nestes tempos em que o sistema em seu conjunto tem operado para a corrupção. O poder político e o poder econômico se alimentaram e se nutriram mutuamente e implantaram como modus operandi o roubo dos bens do povo e as riquezas da nação.

Na época da chamada, ou do chamado desenvolvimento estabilizador, ou compartilhado, que vai dos anos 30 aos anos 70 do século passado, os governantes não se atreveram a privatizar as propriedades rurais de uso coletivo, florestas, praias, ferrovias, telecomunicações, mineração, indústria energética, muito menos alienar o petróleo. Mas nas últimas três décadas as mais altas autoridades têm se dedicado, como no Porfiriato, a concessionar o território e a transferir empresas e bens públicos, até mesmo funções do Estado para particulares nacionais e estrangeiros.

Não se trata, como antes, de atos criminosos individuais ou de uma rede de cúmplices para fazer negócios sob a proteção do governo. No período neoliberal, a corrupção se converteu na principal função do poder político, por isso, se me pedem para expressar em uma frase o plano do novo governo, respondo: acabar com a corrupção e com a impunidade.

Mas ao contrário do que se poderia supor, esta nova etapa vamos iniciar sem perseguir a ninguém, porque não apostamos no circo ou na simulação. Queremos regenerar, realmente, a vida pública do México. Além disso, sendo honestos, como somos, se abrirmos arquivos não nos limitaríamos a buscar bodes expiatórios, como sempre foi feito, e teríamos que começar com os de cima, tanto do setor público quanto no privado.

Não haveria julgamentos nem prisões suficientes. E o mais delicado, o mais sério: colocaríamos o país em uma dinâmica de fratura, conflitos e confrontação – e isso nos levaria a consumir tempo, energia e recursos que necessitamos para empreender a regeneração verdadeira e radical da vida pública do México, a construção de uma nova pátria, a reativação econômica e a pacificação do país.

Estamos diante de uma questão política de Estado e, como tal, devemos enfrentá-la. Minha posição a respeito defini com toda clareza desde a campanha. Disse que não é meu forte a vingança e que, se bem não esqueço, sou partidário do perdão e da indulgência. Além disso, e isto é muito importante, acredito piamente que no campo da justiça se podem castigar os erros do passado, mas o fundamental é evitar os crimes do futuro.

Por conseguinte, proponho ao povo do México que ponhamos um ponto final a esta horrível história e o melhor é começarmos de novo. Em outras palavras, que não haja perseguição aos funcionários do passado e que as autoridades responsáveis ​​encaminhem em absoluta liberdade os assuntos pendentes. A propósito, hoje se constitui uma comissão da verdade para punir os abusos de autoridade, para tratar do caso dos jovens desaparecidos de Ayotzinapa.

Que se punam os responsáveis, porém que a Presidência se abstenha de solicitar investigações contra aqueles que ocuparam cargos públicos ou que tenham se dedicado a fazer negócios sob o amparo do poder durante o período neoliberal.

Do meu ponto de vista, nas atuais circunstâncias é mais severa e eficaz a condenação do regime neoliberal, deixar claro seu manifesto fracasso e evidente corrupção, e fazer tudo o que pudermos para suprimir o regime neoliberal e submeter a processos judiciais ou a julgamentos sumários a seus provedores, esses que a fim de conta não deixam de ser menores mediante a esperança de todo um povo e da fortaleza de uma nação como a nossa.

Mas de qualquer maneira, como em todos os assuntos de transcendência para a vida pública do país, defenderei com liberdade e argumentos minha posição de dar um ponto final e de pensar e trabalhar para o futuro, mas a cidadania terá a última palavra, porque em todos estes assuntos os cidadãos serão consultados.

Também esclareço que se minha proposta for aceita para manter o Poder Executivo fora desse assunto, tal determinação se aplicará àqueles de antes, aqueles que partem, não para nós, que manteremos elevado o ideal e a prática da honestidade. Começo informando que promovemos uma lei para transformar a corrupção em crime grave, que embora pareça incrível, não era.

Com apego às minhas convicções e no uso de minhas faculdades, comprometo-me a não roubar e não permitir que ninguém se aproveite de seu cargo ou posição para subtrair bens do erário ou fazer negócios sob a proteção do poder público.

Isso se aplica a amigos, aplica-se a companheiros de luta e familiares. Deixo claro que, se meus entes queridos, minha esposa ou filhos, cometerem um crime, deverão ser julgados como qualquer outro cidadão. Eu só respondo pelo meu filho Jesus, por ser menor de idade.

Quanto à minha pessoa, há anos venho promovendo a reforma do artigo 108 da Constituição para eliminar a impunidade e os privilégios dos altos funcionários públicos, começando pelo presidente da República, que agora, de acordo com o projeto de lei que hoje, neste dia, estou enviando para o Senado, poderá o presidente da República ser julgado como qualquer cidadão pelo crime que seja, mesmo estando no cargo.

Um bom juiz pela casa começa. Vamos colocar ordem
na cúpula do poder, porque a corrupção é promovida e praticada fundamentalmente do topo para os níveis mais baixos. Ou seja, vamos limpar o governo da corrupção do alto para baixo, como as escadas são limpas.

A outra marca do novo governo será a separação do poder econômico do poder político. O governo já não será um simples facilitador para a pilhagem, como vem acontecendo. O governo não será mais um comitê à serviço de uma minoria voraz. Representará a ricos e pobres, crentes e livres pensadores, e a todas as mexicanas e mexicanos, independentemente de ideologias, orientação sexual, cultura, idioma, local de origem, nível educacional ou status socioeconômico. Haverá um autêntico Estado de direito, tal como resume a frase de nossos liberais do século XIX, à margem da lei, nada e acima da lei, ninguém.

Também transitaremos para uma verdadeira democracia, a tradição vergonhosa de fraude eleitoral terminará. As eleições serão limpas e gratuitas e quem usar recursos públicos ou privados para comprar votos e traficar com a pobreza das pessoas ou quem usar o orçamento para favorecer candidatos ou partidos, será preso sem direito à fiança.

A combate à corrupção e a austeridade nos permitirão liberar recursos suficientes, mais do que imaginamos, muito mais, para impulsionar o desenvolvimento do México. Com a fórmula simples de acabar com a corrupção e pôr em prática a austeridade republicana, não haverá necessidade de aumentar os impostos em termos reais, e isso é um compromisso que estou fazendo, nem os preços dos combustíveis aumentarão além da inflação.

Acontece agora que aqueles que aumentaram o preço da gasolina estão pedindo para que baixe. Faço o compromisso responsável que em breve, muito em breve, quando terminarmos a refinaria que vamos construir no México e as seis refinarias forem reabilitadas, o preço da gasolina e de todos os combustíveis vai cair.

Também não, que se ouça bem e que se ouça longe, tampouco vamos endividar o país.

Quando os seis anos do mandato do presidente Fox terminaram, a dívida pública – isto não é conhecido, mas vale a pena lembrar – era de 1,7 bilhão. Quando Calderón deixou o governo, a dívida aumentou para 5,2 bilhões, mais de 200%. E em esses dois sexênios foi quando mais se recebeu dinheiro pela venda de petróleo no exterior – e tudo foi desperdiçado ou desceu pelo ralo da corrupção.

Agora a dívida é de 10 bilhões. Nada mais. Para pagar o serviço desta enorme dívida teremos que destinar em torno de 800 bilhões de pesos do orçamento no próximo ano. Por isso, não vou aumentar a dívida pública. Esse é nosso compromisso. Não gastaremos mais do que entrará no tesouro público.

Contratos assinados por governos anteriores serão respeitados, mas não haverá mais corrupção ou tráfico de influência nas negociações com empresas privadas. Comprometo-me, e sou homem de palavra, que os investimentos dos acionistas nacionais e estrangeiros estarão seguros e se criarão condições até mesmo para obter bons rendimentos, porque no México haverá honestidade, Estado de direito, regras claras, crescimento econômico – e haverá confiança.

Reitero também que a autonomia do Banco do México será respeitada. Estamos elaborando o orçamento para o próximo ano e, graças às economias que obteremos com a combate à corrupção e com a aplicação de medidas de austeridade, o investimento público será aumentado para resgatar a indústria petrolífera e a indústria elétrica.

Vamos impulsionar projetos produtivos com investimento público e privado, nacional e estrangeiro. Esses projetos serão criados como “franjas de desenvolvimento” de sul a norte do país, para manter os mexicanos em seus lugares de origem. Queremos que a migração seja opcional, não obrigatória. Vamos fazer com que os mexicanos tenham trabalho, prosperem e sejam felizes onde nasceram, onde estão seus familiares, seus costumes e culturas.

Por esta razão, o trem maia será construído, um milhão de hectares de árvores frutíferas e para corte serão plantadas no sul-sudeste. As refinarias existentes serão reabilitadas, como já expressado, e faremos uma nova refinaria em Dos Bocas, Paraíso, Tabasco, para deixar de comprar gasolina no exterior. No Istmo de Tehuantepec será promovida a criação de uma ferrovia para contêiners de carga e ampliados os portos de Salina Cruz e Coatzacoalcos, para se comunicarem em menos tempo com países da Ásia e com a Costa Leste dos EUA.

Nesse corredor haverá eletricidade e gás a preços baixos, assim como subsídios fiscais para a instalação de fábricas e criação de empregos. Em três anos, estará funcionando – estou muito certo disso (ele utilizou a expressão “me canso, ganso” muito repetida na repercussão do discurso) -, além do atual, o novo aeroporto da Cidade do México, com duas pistas adicionais na Base Aérea de Santa Lúcia.

Além disso, a partir do primeiro dia de janeiro próximo entrará em vigor a zona franca ao longo dos 3.180 quilômetros na fronteira com os Estados Unidos. Esta faixa de 25 quilômetros de largura se tornará a maior zona de livre comércio do mundo. Ali, se cobrará o mesmo de imposto e os custos de energia serão iguais aos da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas, da União Americana. Em outras palavras, nesta faixa…. no primeiro dia de janeiro, o IVA será reduzido de 16 para 8%. O imposto de renda cairá para 20%. Gasolina, gás e eletricidade custarão menos do que no resto do país – e o salário mínimo será o dobro.

Esta será a última “franja de desenvolvimento” para reter com trabalho e bem-estar a nossos compatriotas em território nacional. Quanto ao bem-estar do nosso povo, o plano é combater a pobreza e a marginalização como nunca feito na história. Hoje apresento a este Congresso, formalmente, reformas constitucionais, projetos de reforma para a Constituição, para estabelecer o estado de bem-estar e garantir o direito do povo à saúde, educação e seguridade social.

Vamos deixar de lado a hipocrisia neoliberal. O Estado lidará com a redução das desigualdades sociais, a justiça social não continuará a ser deslocada da agenda de governo. Os nascidos pobres não serão condenados a morrer pobres. Todos os seres humanos têm o direito de viver e ser felizes, é desumano utilizar o governo para defender interesses particulares e desvanecê-lo quando se trata de proteger o benefício das maiorias. Não é lícito, não é justo defender o poder do Estado de resgatar instituições financeiras falidas e considerá-lo um fardo quando procura promover o bem-estar dos mais necessitados.

É pertinente, então, afirmar com toda clareza que vamos atender e respeitar a todos. Nós vamos governar para todos, mas vamos dar preferência aos vulneráveis ​​e aos despossuídos. Para o bem de todos, primeiro os pobres. Nossa consigna de sempre é essa, a partir de hoje, início de governo.

Enumero algumas ações.

A mal chamada reforma educacional será cancelada. O Instituto Nacional para a Atenção dos Povos Indígenas será criado. Iniciará de imediato o programa de assistência médica e medicamentos gratuitos nas áreas marginalizadas do país e se tornará universal em todo o país este programa de assistência médica e medicamentos gratuitos, no meio do sexênio. É meu compromisso.

Os aumentos do salário mínimo não serão definidos abaixo da inflação como aconteceu no período neoliberal. Em 2,3 milhões de jovens serão contratados para trabalhar como aprendizes em oficinas, empresas, comércios e diversas tarefas produtivas ou sociais, e receberão um salário, enquanto treinam, de 3.600 pesos mensais. Não haverá mais nem-nem (ni-nis). Não daremos às costas aos jovens, nem iremos ofendê-los chamando-os dessa maneira, porque não é culpa deles que não tenham oportunidade de trabalho e de estudo.

Serão concedidas 10 milhões de bolsas a estudantes
de todos os níveis de ensino, 100 universidades públicas serão criadas, atividades esportivas e artísticas,
a ciência e a tecnologia serão incentivadas.

A aposentadoria para os idosos, que foi uma criação do nosso movimento, o programa de pensão para os idosos aumentará essa aposentadoria ao dobro, e terá caráter universal. Ou seja, aposentados, pensionistas do ISSSTE (Instituto de Seguridade e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado) e do Seguro Popular também vão receber esse apoio. Um milhão de pessoas com deficiência ou com capacidades diferenciadas terão uma pensão igual à dos idosos.

Será dada atenção imediata aos afetados pelos terremotos, será concedido crédito à palavra para os agricultores, pecuaristas, pescadores, proprietários de oficinas, artesãos, a pequenos comerciantes, a empresários. Os produtores de campo terão apoio com subsídios e garantia de preços, e uma cesta básica será vendida a um preço justo para combater a desnutrição e a fome.

É importante precisar que os beneficiários destes programas receberão seu quinhão de forma direta, pessoal, sem intermediários, de modo que não tenha manipulação de apoios com fins eleitorais, e que cheguem aos beneficiários de forma completa este apoio, sem mentiras ou comissões indevidas.

Também vamos evitar danos ao meio ambiente. Aproveito para reiterar que não se permitirá o fracking (processo predatório de extração de gás natural) nem os transgênicos.

Como se compreenderá a necessidade de se empreender essas e outras ações, explica e justifica o Plano de Austeridade Republicana que estamos comprometidos o que, por sinal, não significa, como se pensa em outros países, um mero conjunto de ajustes no gasto produtivo e social do orçamento. Aqui o compreendemos não apenas como uma questão administrativa, mas como uma política de princípios, pois implica acabar com os privilégios da alta burocracia. Juárez (Benito Juárez, civil, indígena, restaurador da República ao derrubar o 2º Império, cinco vezes presidente, um dos mais respeitados políticos da história mexicana) dizia que as autoridades deveriam aprender a viver no ambiente justo, e nós sustentamos que não pode haver governo rico, com povo pobre.

Por isso, serão baixados os salários dos altos funcionários públicos. Esta lei já foi aprovada neste Congresso, nesta legislatura. Diminuirão os salários dos que estão no topo, porque aumentarão os salários dos que estão abaixo. Não haverá mais serviço médico privado para altos funcionários públicos. Eram destinados 5 bilhões de pesos para o pagamento de serviços médicos a altos funcionários públicos. Não haverá mais bancos de poupança especiais para altos funcionários públicos. Já não há, essa lei foi aprovada.

Ninguém poderá viajar em aviões ou helicópteros particulares às custas do dinheiro público. A partir
da próxima segunda-feira, será posto à venda o avião presidencial e toda a frota de aeronaves e helicópteros para uso de altos funcionários.

O presidente da República receberá 40% do que o presidente que sai recebia. Não morarei em Los Pinos (residência presidencial) e essa residência oficial já se abriu, desde hoje, ao público e será integrada no Bosque de Chapultepec para tornar-se um dos maiores e mais interessantes locais do mundo para a arte e a cultura.

Outra mudança importante será a criação da Guarda Nacional, se autorizada pelo povo e pelo Poder Legislativo, para enfrentar o grave problema de insegurança e violência que padecemos. Isso significa repensar o papel das Forças Armadas em face da ineficácia das corporações policiais.

É essencial aceitar que a Polícia Federal, criada há 20 anos para complementar o trabalho das Forças Armadas no combate à delinquência, é atualmente um agrupamento de apenas 20 mil efetivos, que carecem de disciplina, treinamento e profissionalismo. Quanto aos agentes ministeriais e às forças policiais estaduais e municipais, deve-se reconhecer, sem generalizar, que muitos são conduzidos pela corrupção e não pelo dever do serviço público, e sua decomposição colocá-os sob o domínio da delinquência. O cidadão mexicano está atualmente em estado de desamparo. Não temos policiais para cuidar dos cidadãos.

Sempre pensei que diante o problema da insegurança o pertinente é abordar as causas que originam a violência, e assim o faremos, porém ante a ineficiência das corporações policiais e o grave aumento de assassinatos, roubos, sequestros, feminicídios e outros crimes, estou solicitando ao Congresso, em caráter de urgência, a aprovação de uma reforma constitucional que nos permita criar, com a integração da Polícia Militar, Polícia Naval e Polícia Federal, uma Guarda Nacional para desempenhar funções de segurança pública, com pleno respeito aos direitos humanos.

Eu sei que é um tema polêmico, mas tenho a obrigação de expressar meu ponto de vista com realismo e argumentos.

As Forças Armadas estão entre as melhores instituições do México. O Exército Mexicano foi formado em 1913 para enfrentar o governo usurpador de Victoriano Huerta. É um exército revolucionário, surgido do povo e desde então tem experimentado poucas quebras em sua unidade e disciplina.

A última rebelião militar foi a do general Saturnino Cedillo, em 1938-1939, e nunca o Exército Mexicano deu um golpe de Estado a uma autoridade civil. Sua lealdade ao governo e sua falta de ambição por poder econômico e político tem em boa medida sua explicação, entre outros fatores, de que o Exército Mexicano não é um agrupamento elitista, sempre se nutriu de pessoas comuns. O soldado é povo uniformizado.

Certamente, nem todos os militares demonstraram comportamento impecável, e tampouco deve-se omitir o fato do Exército ter participado de atos de repressão por ordem de autoridades civis. Mas em nossas instituições militares não se formaram minorias corruptas, como ocorreu em outros âmbitos do poder, e ao contrário do que acontece em outros países, no México não se sabe de militares que fazem parte da oligarquia. Além disso, é um fato que o Exército conta com o respaldo da opinião pública, é uma instituição que ao longo de sua história tem mantido seu profissionalismo e tem sido eficaz, sem dúvida, em tarefas de auxílio à população em casos de desastre, em terremotos, inundações, furacões e prestado outros serviços à comunidade.

As Forças Armadas fizeram escolas, têm universidades, centros de pesquisa, possuem disciplina e espírito de corporação, têm mantido sua vocação nacionalista, isso é muito importante, e nunca foram subordinadas a qualquer hegemonia ou força estrangeira. O mesmo pode ser dito do Ministério da Marinha, esteja ciente de que essa dependência foi criada em 1940, quando a original Secretaria de Guerra e Marinha se dividiu em duas instituições.

Assim, o Exército e a Marinha podem ser uma prévia preparação e capacitação para o respeito pelos direitos humanos, e mediante a implementação de protocolos para o uso da força, as instituições fundamentais para garantir a segurança nacional, a segurança do interior e a seguridade pública.

Acrescento que o Plano de Paz e Segurança inclui a criação de 266 coordenações territoriais no país. Todos os dias a partir das seis da manhã vou presidir, no Palácio Nacional, a reunião do Gabinete de Segurança, no qual receberemos o relatório do que aconteceu nas últimas 24 horas e tomaremos as medidas necessárias.

Acrescento que, segundo nossas leis, o titular do Poder Executivo é o comandante supremo das Forças Armadas e reafirmo o compromisso de que o presidente do México nunca dará a ordem para reprimir ao povo, nem será cúmplice ou acobertador de eventuais violações aos direitos humanos.

No que diz respeito à política externa, aderiremos aos princípios constitucionais de não intervenção, autodeterminação dos povos, solução pacífica de controvérsias e cooperação para o desenvolvimento. Manteremos boas relações com todos os povos e governos do mundo, por isso agradeço a presença do Sr. Michael Pence, vice-Presidente dos Estados Unidos e sua esposa, Karen Pence. E quero destacar que, desde o dia 1º de julho, desde o dia da minha eleição, recebi tratamento respeitoso do presidente Donald Trump, a quem agradeço que em nota de amizade enviou a esta cerimônia sua filha, Ivanka.

A mesma atenção recebi do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau. Com eles, com os dois presidentes, com o presidente dos Estados Unidos e com o primeiro-ministro do Canadá, estou falando de irmos além do Tratado de Livre Comércio da América do Norte e chegar a um acordo de investimento entre empresas e governos das três nações para promover o desenvolvimento dos países da América Central e também do nosso país. E dessa forma enfrentar, e não com medidas coercivas, o fenômeno migratório.

Estou muito satisfeito por contar com a presença de presidentes da América Latina e do Caribe. O México não deixará de pensar em Simón Bolívar e em José Martí, que junto com Benito Juárez continuam orientando com seus exemplos de patriotismo o caminho de povos e de líderes políticos.

Obrigado por estar aqui, Jimmy Morales Cabrera, presidente da vizinha República da Guatemala. Juan Orlando Hernández Alvarado, presidente da República de Honduras e sua esposa, Ana García. Óscar Samuel Ortiz Ascencio, vice-presidente da República de El Salvador. Colville Young, governador geral também da nossa vizinha república de Belize. Miguel Díaz-Canel Bermúdez, presidente dos Conselhos de Estado e Ministros da irmã República de Cuba.

Danilo Medina Sánchez, presidente da República Dominicana. Jovenel Moïse, presidente da República do Haiti. Iván Duque Márquez, presidente da República da Colômbia. Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela. Lenín Moreno Garcés, amigo Lenín, presidente da República do Equador e sua esposa Rocío González. Amigo Evo Morales, presidente do estado plurinacional da Bolívia. Martín Vizcarra Cornejo, presidente da República do Peru.

Agradeço a presença de Julie Payette, governadora-geral do Canadá. Brahim Ghali, presidente da República Árabe Saaraui Democrática. De Kim Yong-Nam, presidente da República da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia. Shen Yueyue, vice-presidente da Assembléia Popular da China.

Agradeço também, pelos laços de história e de cultura, que nos unem, a presença de Felipe VI, rei da Espanha. Do primeiro-ministro Antônio Costa, da República Portuguesa. De Eugene Philip Rhuggenaath, primeiro-ministro e ministro de Assuntos Gerais de Curaçao. Ana Birchall, vice-primeira-ministra da Romênia. De Lucía Topolansky, vice-presidente da República Oriental do Uruguai. De Gabriela Michetti, vice-presidente da República da Argentina. De Hugo Velázquez, vice-presidente da República do Paraguai e sua esposa, Lourdes Samaniego. De Claudia Dobles Camargo, primeira-dama da República da Costa Rica.

Agradeço a muitos representantes de organizações internacionais, a governadores e autoridades de vários países. Aqui estão bons e velhos amigos, como Miguel Ángel Revilla, presidente do governo da Cantábria e sua esposa, Aurora Díaz. Está o nosso amigo Jeremy Corbyn, membro do Parlamento do Reino Unido, líder do Partido Trabalhista. Está também um embaixador da poesia e da congruência, Silvio Rodríguez, e sua esposa, Niurka González.

Amigas e amigos, cheguei à Presidência da República depois de muitos anos de luta pessoal e coletiva. Aqui recordo aos que começaram este movimento, àqueles que semearam o que agora estamos colhendo. Líderes sociais, políticos, muitos que nos anteciparam, foram os precursores desta luta, deste movimento. Nós nunca os esqueceremos.

Chegamos depois de muitos anos e, no meu caso, como na maioria dos que fazem parte deste grande movimento, sem deixar a dignidade no caminho, mantendo nossos ideais elevados, nossos princípios. No meu caso, particularmente, também no de muitos outros, mulheres e homens, minha honestidade, que é o que considero mais importante na minha vida.

Estou preparado para não falhar com meu povo.
Agora quando vinha para cá, emparelhou um jovem
com bicicleta e disse: “tu não tens direito a falhar conosco”. E esse é o compromisso que tenho com
o povo: não tenho o direito de falhar.

Nada material me interessa, nem me importa a parafernália do poder. Sempre pensei que o poder deve ser exercido com sabedoria e humildade, e que somente adquire sentido e se converte em virtude quando é colocado a serviço dos outros.

Estou ciente da grande expectativa que existe entre os mexicanos, e do desafio que significa enfrentar os grandes e graves problemas nacionais, mas estou otimista e acredito que vamos nos sair bem, vamos enfrentar bem os grandes e graves problemas nacionais, porque acredito no povo e em sua cultura, a cultura do povo, do nosso povo, as culturas do México que sempre foram nossas salvadoras. Com nossas culturas, enfrentamos epidemias, terremotos, inundações, fomes, invasões, guerras civis, crises econômicas, maus governos e outras calamidades, e sempre ressurgimos com dignidade e orgulho.

O legado de civilizações nos forjou como um povo tenaz, combativo, lutador, empreendedor e honesto, com uma excepcional idiossincrasia de fraternidade, de amor ao próximo, de verdadeira solidariedade.

Nosso povo não é fraco, não é preguiçoso, não é indolente. Ao contrário, está entre as sociedades mais trabalhadoras do mundo, e aí está o exemplo de nossos compatriotas migrantes que por necessidade passaram a ganhar a vida nos Estados Unidos – e agora estão enviando 30 bilhões de dólares por ano para suas famílias. Essas remessas são a principal fonte de renda de nosso país e o dinheiro de maior benefício social que recebemos do exterior.

O México não é a guampa de abundância que sua silhueta no mapa parece evocar. Mas mesmo assim temos muitos recursos naturais: água, petróleo, gás, jazidas minerais, ventos, sol, praias, contamos com bosques e florestas, com boas terras para a produção agropecuária e florestal, e somos dos países com maior biodiversidade do mundo.

Por isso que estou otimista, acredito que já estamos conseguindo. Está iniciando e já estamos no caminho de alcançar o renascimento do México, que vamos nos tornar uma potência econômica e, acima de tudo, um país modelo que irá demonstrar ao mundo que acabar com a corrupção é possível. E assim o faremos, porque dessa maneira construiremos uma sociedade mais justa, democrática, fraterna e sempre alegre.

Há três coisas que necessitamos para enfrentar a crise mexicana e duas delas estão garantidas de antemão. Reitero, um povo trabalhador e riquezas naturais suficientes. Em breve, muito em breve, teremos o terceiro, um bom governo, e nesse compromisso empenho minha honra e minha palavra.

Governarei com entrega total à causa pública, dedicarei todo o meu tempo, minha imaginação, meu esforço para coletar os sentimentos e satisfazer as demandas das pessoas. Atuarei sem ódios, não prejudicarei ninguém, respeitarei as liberdades, apostarei sempre na reconciliação e buscarei que, juntos e pelo caminho da concórdia, consigamos a quarta transformação da vida pública do México.

Finalmente, assim como sou juarista (defensor e partidário das ações políticas de Benito Juárez)
e cardenista (defensor de Lázaro Cárdenas), sou também um maderista (defensor das ações de Francisco Madera) e partidário do sufrágio efetivo e da não reeleição.

Trabalharei 16 horas por dia para deixar em seis anos bem avançada a obra de transformação, farei tudo o que puder para bloquear as regressões em que os conservadores e os corruptos estarão empenhados. Por isso, aplicaremos rápido, muito rápido, as mudanças políticas e sociais para que, se no futuro nossos adversários, que não são nossos inimigos, nos derrotarem, seja muito difícil retroceder naquilo que já teremos alcançado. Como diriam os liberais do século XIX, os liberais mexicanos, “que não seja fácil retroceder”.

Mas também deixo claro que, em nenhuma circunstância, haverei de me reeleger, pelo contrário, vou me submeter à revogação do mandato, porque desejo que o povo tenha sempre as rédeas do poder em suas mãos. Em dois anos e meio, haverá uma consulta e os cidadãos serão questionados se querem que o Presidente da República permaneça no poder ou peça licença, porque o povo põe e o povo tira, e é o único soberano a quem devo submissão e obediência.

Aceito o desafio e os convido a participar para celebrar juntas e juntos o esplendor e a grandeza futura do nosso querido México. Agradeço de todo coração. Que viva o México. Viva México. Viva México.

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