Acidente em fábrica de biodiesel mata dois trabalhadores

A Prefeitura de Sumaré informou que a empresa tem alvará de funcionamento e auto de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válidos até 2020.

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Fábrica de biodiesel Prisma, em Sumaré-SP, local da explosão. Foto: Cecília Gomes

A explosão de tanque de óleo na fábrica Prisma, produtora de biodiesel em Sumaré, região de Campinas, São Paulo, matou dois trabalhadores na última segunda-feira, 08/04. Thiago Albino Benedicto e Maicon Roberto João, líder e auxiliar de manutenção foram atingidos pela explosão. O acidente ocorreu por volta das 12h, quando um dos funcionários fazia a solda do equipamento, segundo os bombeiros. Benedicto foi arremessado dentro da caldeira e morreu carbonizado, Roberto João chegou a ser levado com vida para o Hospital Regional de Sumaré, porém, não resistiu.

A Prefeitura de Sumaré informou que a empresa tem alvará de funcionamento e auto de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válidos até 2020.

Os bombeiros informaram que sistemas fixos de proteção na estrutura estavam em funcionamento no momento da explosão. Defesa Civil e Companhia Ambiental do estado de São Paulo (Cetesb) também estiveram no local. O incêndio estava controlado controlado até às 13h30.

Dirigentes do Sindicato Químicos Unificados, representantes da categoria, compareceram à fábrica para participar da apuração das causas do acidente, porém foram impedidos de entrar no local. No dia seguinte ao acidente, de acordo com os trabalhadores, a empresa convocou aos colegas ainda em choque com o acidente para pedir que não passem informações ao sindicato.

Para o sindicato, o acidente tem sua causa ligada à ausência de políticas de saúde e segurança dentro da Prisma. A fábrica em Sumaré tem em torno de 45 a 50 trabalhadores, porém não possuía Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). De acordo com a legislação, empresas com mais de 20 trabalhadores devem instalar a CIPA com um representante dos trabalhadores e outro da administração.

Ainda de acordo com o sindicato, o auxiliar de manutenção, Maicon Roberto João, havia sido contratado há cinco dias do acidente. “A empresa forneceu treinamento suficiente para o trabalhador desempenhar aquela atividade?”, pergunta a dirigente sindical  Rosângela Paranhos.  “O fato dos trabalhadores estarem utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como capacete, cinto, luvas e óculos de proteção não retira a responsabilidade da empresa pelo que ocorreu. No caso de uma explosão como esta, nenhum EPI seria capaz de assegurar proteção”, lamenta.

Jornadas nocivas
O Sindicato dos Químicos Unificados também denuncia a imposição da jornada 6X2, que para o sindicato é nociva aos trabalhadores. “O Unificados não concorda com esta jornada e por isso não autorizou sua aplicação, nem assinou acordo. Porém, a empresa pressionou os trabalhadores a assinar acordos individuais”, diz Paranhos. Na jornada 6X2, os trabalhadores conseguem ter folga nos finais de semana somente após 45 dias.

O que diz a empresa?
Em nota, a Prisma Brazil Group lamentou as mortes dos trabalhadores. “No momento a empresa trabalha para atender as famílias das vítimas e segue na investigação da causa do acidente”. Também afirmou que o plano de emergência foi acionado para conter a explosão e não houve dano ambiental aparente.

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